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  • Patrícia Mezzomo

O sujeito suposto saber que não sabe



Talvez umas das coisas mais frustrantes naquele que procura psicanálise para se livrar de seus “problemas” seja perceber que o analista não sabe!


Sim, nem o analista e nem ninguém sabe de você além de você mesmo. Mas provavelmente se você não parou para falar de si para um “ouvido” atento, acredito que nem você anda sabendo de você!


Porém o psicanalista é aquele que por saber que não sabe acaba sabendo! E por esse tipo de saber, ele pode colocar-se como o guia desse “abismo” interior que tanto fugimos e almejamos ao mesmo tempo!


Não saber significa não impor verdades e dogmas e dar espaço para que o inédito do outro possa surgir. Significa dar espaço para que apresente-se uma espécie de confissão que será o início de um novo destino: “Não sei de mim e por isso sofro!”


Essa frase clama por coragem de perceber-se fora do controle, de perceber-se ignorante de si e talvez também perceber que até então tentava-se acreditar que alguém sabia, já que isso traria esperança de sair do sofrimento sem nome.


Freud costumava nos dizer que psicanálise é educação para realidade e Lacan vem na sequência nos relembrar essa verdade, dizendo: A vida é um problema sem solução.


Deitar-se no divã não é se livrar dos problemas. Muito pelo contrário, é abraçá-los, percebê-los além do que são e integrá-los.


Associar livremente é falar de si e de sua história, é entender que quem viveu essa história foi você e justamente por isso só você saberá o que fazer com ela.


Dar espaço ao simbólico, ou seja, enunciar a sua cadeia de significantes a quem pode entendê-lo, lhe jogará numa enrascada! A enrascada de perceber-se!


Falar de si é se ouvir. Se ouvir é se perceber e se perceber é perceber sua biografia e, mais do que isso, perceber o que você fez da sua vida a partir dessa narrativa.


Ao conscientizar-se do seu caminho até então, ganha-se o poder de escolha do próximos passos a partir de um saber que passa a ser interno e não mais externo.


Entender a realidade, desconstruir fantasias e assumir os desejos, nos dão sinais de que entrar em análise é sair do Infantil para um vislumbre de maturidade que não espera mais do outro. Que age a partir de si e para si.


Crescer dói mas é tão bom!



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